Monitorização prolongada do pH esofágico no diagnóstico de refluxo gastro esofágico

Jair M. Kuhn – Wilson R. Davanso

INTRODUÇÃO: O presente conceito de esofagite péptica data de 1935 quando Winkelstein sugeriu que secreções ácidas eram a causa da lesão mucosa observada na esofagite péptica. Allison em 1946 introduziu o termo "esofagite de refluxo" relacionado à ocorrência da passagem de suco gástrico para o esôfago. Subseqüentemente ficou evidente que muitos pacientes apesar dos sintomas de refluxo não apresentavam alteração endoscópica ou anátomo patológica do esôfago. O outro marco no estudo da DGRE foi o advento da monitorização do pH esofágico. Johnson e DeMeester foram os primeiros a estudar pacientes voluntários normais e assintomáticos e quantificaram os dados considerados fisiológicos.

DEFINIÇÃO: Refluxo gastroesofágico (RGE) é definido como a passagem de conteúdo gástrico para o esôfago e é um processo fisiológico que ocorre durante o dia em lactentes saudáveis, crianças e adultos. A maioria dos episódios de refluxos são curtos e assintomáticos não ultrapassando o esôfago distal. Regurgitação é a passagem de conteúdo gástrico refluído até a faringe. O refluxo gastroesofágico ocorre durante o relaxamento transitório do esfíncter inferior do esôfago ou uma adaptação inadequada do seu tônus diante de alterações de pressão abdominal.

Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é definida quando ocorrem sintomatologia ou complicações do RGE. A patogênese é multifatorial e complexa, envolvendo a freqüência de refluxos, acidez e esvaziamento gástrico, mecanismo de clareamento esofágico, a barreira da mucosa esofágica , hipersensibilidade visceral e reatividade das vias aéreas.

Nos lactentes a regurgitação é freqüente aparecendo em 50% a 60 % nos primeiros 4 meses de vida e decaindo até 5% no primeiro ano de vida. Uma pequena minoria de crianças desenvolvem DRGE com sintomas incluindo anorexia, disfagia, odinofagia, arqueamento do tronco durante a alimentação (Síndrome de Sandifer), irritabilidade, hematêmese, anemia ou falha no desenvolvimento. RGE é uma das causas de apnéia em lactentes e pode estar relacionada com a síndrome da morte súbita. Tem sido também associada com desordens respiratórias incluindo reatividade de vias aéreas, estridor recorrente, tosse crônica e pneumonias de repetição.

Em pré escolares o RGE pode se manifestar como vômitos intermitentes. Crianças mais velhas se apresentam com padrões sintomatológicos de adultos como queimação retroesternal ou regurgitação com ruminação. Esofagite em crianças mais velhas pode se apresentar como disfagia ou impactação alimentar. Inflamação mais severa pode causar perda sangüínea, hematêmese, hipoproteinemia ou melena. Se a inflamação não é tratada, cicatrizações e retrações do esôfago podem se formar. Inflamação crônica pode também resultar em displasia e metaplasia do epitélio esofágico, com potencialidade de malignização conhecido como esôfago de Barrett.


DIAGNÓSTICO: A história clínica e o exame físico muitas vezes é o suficiente para estabelecimento do diagnóstico de RGE, principalmente em crianças maiores e adultos que apresentam sintomas clássicos da doença. Em outras situações podem não haver correlação entre as manifestações clínicas e a gravidade da doença. Nenhum exame por si só é suficiente para estabelecimento da conduta a se tomar diante do problema. A abordagem terapêutica, clínica e ou cirúrgica vão depender da somatória das diversas propedêuticas, como Estudo Contrastado do Esôfago-Estômago-Duodeno (EED), Cintilografia esofágica, Endoscopia Digestiva Alta e a Monitorização Prolongada do pH esofágico




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